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A solteirice como bênção – uma compreensão contracultural [Episódio 2]

A solteirice como bênção – uma compreensão contracultural [Episódio 2]

Olá seja bem-vindo, eu sou o pastor Elienai Batista, e esta é a série: Aprendizado & Serviço.

Episódio 2 – A solteirice como bênção – uma compreensão contracultural.

No episódio 1, eu procurei mostrar que nas Escrituras a solteirice é vista de maneira positiva. Falei sobre os diferentes chamados, mostrando que há aquelas pessoas que são chamadas por Deus para se casarem, e há aquelas que são chamadas por Deus para permanecerem solteiras por toda vida. Casamento e solteirice são diferentes dádivas de Deus.

No entanto, quando dizemos que a solteirice é uma bênção, estamos dizendo algo contracultural, não só em termos externos (mundo), mas também internos (igreja).

No mundo há uma pressão desde cedo para que essa etapa da vida, estar solteiro, seja logo ultrapassada. No mundo estar solteiro é sinônimo de estar sozinho, o que é considerado como algo ruim. Se dá a impressão que a pessoa que não casa ou que não desfruta de relacionamentos românticos, é uma pessoa que ninguém quer, por razões físicas ou emocionais. Para o mundo, o rapaz ou a moça que não namora é alguém bobo, desajustado, fanático, etc.

Há muita pressão no sentido de que se mantenha algum relacionamento romântico, e que se aproveite da intimidade física e emocional que tais relacionamentos podem oferecer. Na escola por exemplo, costumam rotular de BV (boca virgem) quem nunca beijou. Assim, cada vez mais cedo adolescentes e crianças experimentam relacionamentos de curta duração (ficar, namorar, paquerar, etc).

Na medida em que a pessoa cresce, o padrão vai se mantendo, e a fornalha de relacionamentos intensos (física e emocionalmente), mas fracos em compromisso, tende a ficar cada vez mais quente.

No contexto da igreja, isso pode ser refletido com ares e com pitadas de moralidade. Em geral há uma pressão sobre os solteiros como se a solteirice fosse um tipo de doença da qual ou você toma logo o remédio final, o casamento, ou você vai usando paliativos que diminuem o sofrimento, isto é, os relacionamentos de curta duração.

Assim sendo, as perguntas chegam constantemente: você ainda não tem namorado (a)? Você não quer casar?

Na igreja, geralmente o casamento é visto como uma dádiva de Deus, mas a solteirice não.

Me parece que tal perspectiva é um tipo de anabatismo. Uma vez que a Igreja Romana, valoriza o celibato, como sendo uma vocação mais elevada e mais santa que o casamento, há uma tendência no meio evangélico de reagir a isso, com tanta força, que se dá a impressão que o casamento é uma vocação mais elevada e mais santa que a solteirice.

De fato, Gênesis 2.18, indica que o casamento é algo bom: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.

Mas em 1 Coríntios 7.1-2, lemos: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.”

E depois no v. 7, ele escreve: “Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro.”

Paulo não coloca isso como regra, na verdade com base em Gênesis, teríamos de dizer que a regra é o casamento. Mas ele apresenta a solteirice como uma possibilidade, como uma dádiva e bênção de Deus. 1 Coríntios 7, fala não só de homens, mas também de mulheres. E não devemos esperar que Paulo toda hora aplique o que está dizendo a homens e mulheres. 1 Coríntios 7, em diferentes versículos, deixa claro que tanto homens como mulheres podem receber o dom de permanecer solteiro.

Mas por que Paulo considerava que seria melhor, permanecer solteiro caso a pessoa recebesse este dom? Em 1 Coríntios 7.32-35, se lê:

O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido. Digo isto em favor dos vossos próprios interesses; não que eu pretenda enredar-vos, mas somente para o que é decoroso e vos facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor.

Observem que duas vantagens de estar solteiro são apresentadas nesta passagem:

  1. A pessoa fica livre de preocupações relativas ao casamento;
  2. A pessoa pode se dedicar mais plenamente à obra de Deus.

O princípio aqui estabelecido é que quem é casado (homem ou mulher), tem de cuidar das coisas relativas ao casamento e à família, em como agradar ao seu cônjuge. E quem não é casado (homem ou mulher), cuida das coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor.

Então existem duas possibilidades: casamento e solteirice. Cada qual é chamado por Deus para uma vocação diferente.

Portanto, solteirice não é uma vocação superior e mais santa que o casamento, nem o casamento é uma vocação superior e mais santa que a solteirice. Quem está casado deve ver seu casamento como uma bênção de Deus, e quem está solteiro, seja por um tempo maior ou menor, ou seja, por toda vida, deve ver a solteirice como uma bênção.

Mas não só os solteiros devem ver a solteirice como uma bênção, mas também os casados devem reconhecer isso. Assim sendo, os membros da igreja que são casados, não devem fazer uma pressão indevida sobre os solteiros.

Uma vez que a igreja é estruturada ao redor de casais, muitas vezes os solteiros são vistos de forma negativa, como pessoas de segunda classe, ou como se fossem peças sobressalentes na vida da igreja. É como se todos tivessem o chamado para o casamento. E que portanto, alguém que não se casa está desajustado com o sistema.

Tal perspectiva não é bíblica, e tal pressão sobre o solteiros não é justa e nem amorosa. Na verdade, tal pressão causa tristeza, ansiedade e desconforto àqueles que são solteiros, especialmente aqueles que estão solteiros a mais tempo. Tal pressão, faz com que a luta desses irmãos aumente. E que sejam tentados a estarem descontentes com seu estado civil.

Em alguns casos, os solteiros chegam a ouvir conselhos, para se casarem com a primeira pessoa que aparecer, ou até de se casarem com pessoas incrédulas. Esse tipo de conselho não se fundamenta na sabedoria ensinada por Deus. Mas é sabedoria, como diz Tiago: “terrena, animal e demoníaca.”

Então uma coisa que nós precisamos fazer, é resgatar uma compreensão bíblica sobre a solteirice como dádiva e bênção de Deus. Para isso, é importante que os pastores ensinem sobre o assunto. Talvez você queira encorajar o seu pastor a fazer isso.

E todos nós, devemos parar de pressionar de forma injusta, mundana e às vezes perversa, aqueles membros da igreja que são solteiros. Eles não devem ser alvo de nossas brincadeiras ou chacotas, porque a condição que cada um desfruta é a condição que lhe foi dada por Deus.

Assim sendo, reconhecendo a solteirice, seja temporário ou permanente como bênçãos do Senhor para a comunhão dos santos, devemos encorajar, orar, e mostrar nosso amor àqueles que são solteiros. Por exemplo, as famílias podem chamar pessoas solteiras para passar o dia do Senhor com eles.

Os solteiros por sua vez precisam reconhecer a Providência de Deus sobre suas vidas. Se alguém não tem o dom para permanecer solteiro, deve orar e pedir a Deus um esposo ou esposa. Não deve viver abrasado como diz o apóstolo. Mas enquanto espera por um casamento, deve usar seu tempo para servir, aprender e crescer.

Se recebeu o dom para permanecer solteiro, também deve usar seu tempo para servir, aprender e crescer. Pois como diz o apóstolo, pode se consagrar desimpedidamente ao Senhor.

Mas seja sua solteirice temporária ou permanente, ele será contracultural. Então jovens estejam prontos, resignados, mas ternos. Pois mesmo que o mundo inteiro não entenda, o Senhor não só entende, como governa.

Portanto, não tente mudar seu estado civil, por conta própria. Confie em Deus, espera nEle, e cumpra aqui que lhe cabe: sirva, aprenda e cresça. De modo que se Deus lhe der um casamento, você gastou seu tempo de solteirice preparando para ser um cônjuge melhor; e se Ele não lhe der um casamento, você terá aprendido e crescido para servir melhor.

É verdade que continuar solteiro, não é algo fácil, mas sobre isso veremos no próximo episódio. No episódio 3, falarei sobre solteirice e contentamento.

Até lá! E que o Senhor Deus te conceda graça, misericórdia e paz!


Edição de áudio: Abner F. B. Batista.

Pr. Elienai B. Batista

Ministro da Palavra e dos Sacramentos atualmente trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), e na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE.

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