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Comentários de Lutero e Calvino sobre a ociosidade

Comentários de Lutero e Calvino sobre a ociosidade

Neste artigo compartilho com vocês algumas anotações de meus estudos sobre o ensino bíblico a respeito do trabalho e da ociosidade nos escritos de Martinho Lutero e João Calvino.

Conforme Calvino destaca em seus escritos, o trabalho é a vocação de Deus para o homem. Antes de ter uma vocação específica (carpinteiro, etc), o homem é chamado por Deus a trabalhar. Portanto, quando o homem tendo para isso condições, não trabalha, ele peca contra Deus (erra o alvo). É por isso que as Escrituras condenam a ociosidade.

Vejamos agora os comentários de Lutero e Calvino sobre alguns textos bíblicos que tratam sobre a ociosidade.

Gênesis 2.15

Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.

Calvino disse que quando Deus colocou o homem no jardim do Éden para o cultivar e aguardar, Deus condenou a ociosidade. Por isso, homem, e especialmente o homem cristão, deve rejeitar a ociosidade e abraçar sua vocação primária – o trabalho.

Lutero comentando esse versículo, disse: “Convém lembrar aqui que o ser humano não foi criado para o ócio, mas para o trabalho, também no estado de inocência. Por isso condena-se, merecidamente, o tipo de vida ociosa, como a dos monges e das monjas.” E em outro lugar, ele diz que assim como o pássaro nasceu para voar, o homem nasceu para trabalhar.

João 9.4

É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

Calvino disse que “quando vemos que temos pouco tempo de vida que nos é dado, tenhamos vergonha de ficar ociosos. Em suma, tão logo Deus nos ilumina em nos chamando, de mister nos é pormo-nos imediatamente a trabalhar, a fim de que a ocasião e a oportunidade nos não escapem.”

Provérbios 10.4

O que trabalha com mão remissa empobrece, mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se.

Calvino disse com base no Sl 128, que se a bênção de Deus está sobre as mãos daquele que trabalha, a maldição de Deus está sobre a ociosidade. Ele ressalta que não só a Escritura demostra que o homem foi criado a fim de empregar-se em fazer algum coisa, mas que também que a própria natureza ensinou isso aos pagãos.

Portanto, quem deseja ficar isento dessa regra comum, deve ficar privado do sustento, que é o salário do trabalho.

2 Tessalonicenses 3.10,11

Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto se alguém não quer trabalhar, também não coma. Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia.

Comentando esse famoso texto sobre a ociosidade, Calvino diz o seguinte: “São Paulo condena os vadios e inúteis que vivem do suor alheio e, no entanto, comumente, com nenhum meio contribuem para ajudar o gênero humano.

Agora vejamos o comentário de Lutero a esse texto:

Não é meu próximo aquele que não quer trabalhar e quer viver às nossas custas. Não se deve ajudar quem não quer carregar a responsabilidade do trabalho. Pois assim como meu corpo come e bebe e ainda trabalha, também meu próximo deve trabalhar. Deus não quer preguiçosos vadios, mas devemos trabalhar com dedicação e afinco, cada um em sua profissão e emprego. Assim Deus concederá bênção e sucesso ao que se faz.

Mateus 25.27

Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.

Comentando a parábola dos talentos, Calvino diz que não haverá desculpas para os “que sufocam os dons de Deus e passam a vida na ociosidade.

Portanto amados irmãos, cabe a todos nós ornarmos a doutrina de Deus, nosso Salvador, com trabalho fiel e diligente (Tt 2.9,10).

Para o homem isso significa, que se ele não tem um emprego, seu trabalho é buscar um trabalho ou preparar-se para ele (faculdade, curso técnico). Não deve dar descanso à sua alma enquanto não estiver cumprindo o que Deus ordena – trabalhar (Dt 5.13).

Enquanto não tem um trabalho remunerado, deve aproveitar as oportunidades para servir. Seja em casa, seja entre os vizinhos ou na igreja de Cristo. Só não pode ficar ocioso. A ociosidade é uma deturpação da masculinidade e um pecado contra Deus.

* Esse pequeno artigo foi publicado no boletim da Igreja Reformada em Paulista em junho de 2017.

Pr. Elienai B. Batista

Ministro da Palavra e dos Sacramentos atualmente trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), e na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE.

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