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Dia do Senhor 04 – Salmo 5.4-7 [Pregação]

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Dia do Senhor 04 – Salmo 5.4-7 [Pregação]

A Justiça e a Misericórdia de Deus

Amados irmãos em nosso Senhor Jesus Cristo,

Nos dois últimos domingos vocês ouviram sermões nos quais duas verdades bíblicas se destacaram: 1) Em Sua lei, Deus exige de nós que O amemos e que amemos o nosso próximo; 2) Nós não somos capazes de cumprir estes mandamentos pois somos concebidos e nascidos em pecado. Na verdade, por natureza, somos inclinados a odiar a Deus e ao próximo.

Essas duas verdades, podem levar alguém à seguinte pergunta, a qual encontramos em nosso catecismo: “Mas Deus não age injustamente com o homem ao exigir em Sua lei aquilo que o homem não consegue cumprir?”.

Essa pergunta, está relacionada com a justiça de Deus. E por isso devemos nos voltar para o ensino bíblico sobre este assunto.

As Escrituras fazem uma relação da justiça de Deus com o Seu juízo – no Salmo 7.11, lemos: “Deus é justo juiz, que sente indignação todos os dias”.

Dizer que Deus é justo juiz, significa dizer que quando Ele julga, não comete nenhuma injustiça. Ele não aceita suborno, não condena o inocente e tão pouco inocenta o culpado, mas dá a cada um a sentença correta. Não há injustiça em Deus. Mas então, como explicar que Ele exige do homem, aquilo que o homem não pode cumprir? Que Ele exige que o homem o ame, e ame a seu próximo de maneira perfeita, quando o homem não pode fazê-lo? Isso não é injusto?

A resposta é: NÃO! Pois quando Deus criou o homem, o homem era livre, dotado da capacidade de obedecer aos mandamentos de Deus. Mas sabemos que instigado pelo diabo, o homem em desobediência deliberada, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes destes dons.

Isso pode ser ilustrado da seguinte maneira: imagine que um rei diga a seu servo – “você vai cuidar da porta do palácio, deve abri-la pela manhã e fechá-la à noite, aqui está a chave para que você execute o que lhe tenho ordenado”. Mas o rei avisa – “se você não fizer conforme lhe ordeno, você será expulso do palácio, e isso trará consequências sobre todos os seus descendentes”.

O servo por um tempo cumpriu a ordem do rei perfeitamente. Mas certo dia, um inimigo do rei disfarçado de súdito, disse ao servo do rei que ele era bobo em estar preocupado em obedecer a ordem do rei todos os dias, e que o rei nunca aplicaria a punição que havia dito, e que aquela era uma porta sem importância, tanto faria se estivesse aberta ou fechada. E que enquanto o servo do rei se preocupava em cumprir a ordem do rei, ele estava perdendo coisas prazerosas. O servo instigado pelo inimigo do rei jogou longe a chave, perdendo-a. No dia seguinte, o rei pediu ao servo contas do que acontecera e perguntou por que ele não fechara a porta na noite anterior. O servo com medo do rei, desculpou-se dizendo que não havia fechado a porta porque havia perdido a chave.

A partir daquele momento o servo foi expulso do palácio e todos os seus descendentes passaram a viver em miséria. Agora perguntamos: de quem é a culpa? Certamente não é do rei. Esse rei não foi injusto ao condenar esse servo por não fazer aquilo que o rei ordenou.

Todos nós precisamos estar cientes disso: a culpa é nossa. Conforme Romanos 5.12, em Adão que era nosso representante, todos nós pecamos contra Deus. E agora, todos nós violamos Sua Santa Lei. Todos nós não amamos a Deus como Ele exige de nós, não amamos o próximo como amamos a nós mesmos. Então não há injustiça da parte de Deus em exigir em Sua lei, aquilo que originalmente Ele deu ao homem.

Deus é justo juiz, isso significa também, que Ele não permite que o pecado fique sem punição. A desobediência de Adão e Eva, o pecado original, recebeu um justo castigo. Nossos primeiros pais morreram espiritualmente, foram expulsos do Éden, e sofreram todas as demais consequências decorrentes de sua desobediência. Consequências essas, que recaíram sobre todos os seus descendentes.

Não só o pecado original atrai a ira de Deus contra nós, mas também nossos pecados presentes. Deus é Santo, Ele odeia o pecado. Como lemos no Salmo 5.4, Ele não se agrada do pecado, com Ele não subsiste o mal. Portanto, o pecador em sua arrogância, aquele que desobedece Sua lei (aquele que pratica iniquidade), os que proferem mentira, o sanguinário, o fraudulento, e uma vez que todos pecamos, conclui-se que todos merecem a ira de Deus contra o pecado original e contra seus pecados presentes.

Notem em nosso texto, os termos que expressam a reação deste Deus Santo frente ao pecador: “não permanecerão à tua vista”, “não subsiste”, “aborreces”, “destróis”, “abomina”.

É isso que todos os homens merecem – a ira de Deus, agora e eternamente. Não há ninguém bonzinho, naturalmente santo, sem pecado. Todos nascemos em pecado, todos nós pecamos contra Deus. E se houvéssemos pecado uma única vez, já seríamos dignos do juízo de Deus. Nós precisamos entender a gravidade da situação, a miséria em que a humanidade se encontra.

Deus traz juízo agora sobre os pecadores. Ele trará o juízo eterno sobre os pecadores. Os pecadores são inimigos de Deus, estão debaixo da ira de Deus, estão suspensos por um fio. Se o fio se rompe, e o pecador morrer, ele não terá mais oportunidade de se arrepender, e então estará condenado a sofrer o eterno juízo de Deus, a sentir o peso eterno da ira de Deus. Deus é justo.

Talvez alguém diga: Mas Deus é misericordioso, Ele não vai me castigar assim. Sim é verdade que Deus é misericordioso, a Escritura o diz. Mas Ele também é Justo. Isso significa dizer que Ele requer que o pecado cometido contra Sua excelsa majestade seja castigado também com a pena mais severa. Um dos princípios da justiça é dar ao culpado um castigo de acordo com o seu crime. Deus é perfeitamente Justo, Ele não erra. O menor pecado é uma ofensa contra a Majestade, a Glória e a Santidade de Deus. É algo muito grave, para o qual a justiça de Deus exige a pena mais severa, isto é, o eterno castigo do corpo e da alma.

Esse castigo, não é o castigo por alguns dias, ou anos, mas por toda a eternidade. Haverá ranger de dentes, choro, dor, aflição indizível, será a miséria eterna. Não haverá outra chance, não haverá amigos, não haverá consolo, não haverá vida, não haverá misericórdia, não haverá como sair. Será um tormento sem fim. A justiça de Deus será exaltada por toda a eternidade.

O nosso catecismo, procura trazer o ensino bíblico da miséria espiritual na qual todos os homens se encontram, chamando nossa atenção para a justiça de Deus, na qual o pecador não merece outra coisa se não a condenação eterna, para que possamos correr para Cristo. O DS 04, é o último a falar de nossa miséria e pecado. Mas vejam que aqui mesmo podemos ver o consolo. O Deus Justo, é também Misericordioso.

Davi também falou sobre isso, ele falou dos ímpios, de como Deus se ira contra o pecador, e sobre como Ele é um Deus Justo. Mas quando falou sobre si mesmo, ele disse: “porém eu, pela riqueza da tua misericórdia…”. Davi conhecia as riquezas da misericórdia de Deus.

Aqui está o consolo para todo o que crê: Deus é rico em misericórdia. É exatamente o que lemos em Ef 2.4. Onde em contraste à miséria do pecador sobre a qual lemos nos vv.1-3, lemos que Deus é rico em misericórdia.

Nossos primeiros pais trouxeram sobre nós as consequências de sua desobediência, nós não conseguimos cumprir a exigência de Deus de amá-lo e amar nosso próximo perfeitamente. Por isso, não merecemos outra coisa se não o justo juízo de Deus, o castigo eterno no corpo e na alma. Isso é tudo o que há no nosso lado: Miséria.

Mas Deus é rico em misericórdia. Ele nos vê em nossa miséria, e nos estende sua salvação. E aqui entendemos porque a salvação não pode ser um fruto das obras humanas, mas somente da graça de Deus. Se Deus não nos revelasse as riquezas de Sua Misericórdia, concedendo-nos salvação pela graça, tudo que nós conheceríamos seria sua Justiça.

A riqueza da misericórdia de Deus foi revelada na cruz. Na cruz justiça e misericórdia se beijaram. Na cruz nos foi revelado um Deus perfeitamente justo e rico em misericórdia.

Por isso, confessamos no artigo 20 da Confissão Belga: “Deus, assim manifestou a Sua justiça contra o Seu Filho quando colocou sobre Ele as nossas iniquidades e sobre nós que éramos culpados e merecedores da condenação eterna, derramou a Sua bondade e misericórdia.”

Amados irmãos, aqui está o consolo: em Cristo recebemos não o juízo e condenação que merecemos, mas o perdão e a vida inteiramente pela graça. Deus é Justo Juiz. Certamente sua ira e juízo cairão sobre os iníquos. Mas ouçam o que a Escritura diz a nosso respeito: “Agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

Bendito seja o Deus Justo que em Cristo Jesus nos estendeu as riquezas de Sua misericórdia.

Mas por outro lado, se alguém não está em Cristo, tudo que lhe resta é uma expectativa horrível. A ira de Deus permanece contra tal pessoa, as flechas de Deus estão apontadas para ela, o juízo e a ira de Deus virão contra tal pessoa pois Deus é justo juiz. O único caminho para tal pessoa é Cristo. Deve correr arrependido até Ele, pela fé, e buscar graça e perdão.

E se nesta manhã você pode dizer: pela graça de Deus, eu tenho o consolo de pertencer a Cristo. Cristo morreu por mim, ele satisfez a justiça de Deus em meu lugar, ele sofreu o peso eterno da ira de Deus por mim, ele foi despedaçado pela espada de Deus, foi atingido por suas flechas inflamadas. Então você sabe que sua resposta, durante toda sua vida, deve ser de gratidão.

Portanto, uma vez que reconhecemos que Deus é Justo e Misericordioso, sejamos gratos por tão grande salvação que Ele nos concedeu, e falemos aos outros sobre a Justiça e a Misericórdia de Deus que nos foram reveladas em Jesus Cristo.

Amém!

Local e data

Sermão pregado à Igreja Reformada em Paulista no culto matutino do dia 22 de janeiro de 2017.

Ficha Técnica

Conteúdo e voz: Elienai B. Batista.
Edição de áudio: Abner F. B. Batista.

Dúvidas

Caso você tenha alguma dúvida sobre a pregação, pode usar o nosso grupo no Facebook para fazer sua pergunta. Porém, só responderei quando me for possível. Para isso, clique aqui e peça acesso ao grupo, escreva sua pergunta e link meu nome dentro do grupo. Quando puder responderei.

Dia do SenhorTextoTítuloDuraçãoTamanhoData
DS 01Sl 16O SENHOR é refúgio, na vida e na morte para aqueles que nEle confiam00:54:2237,6 MB25/09/2017
DS 021 Jo 1.5-10O conhecimento de nossos pecados00:29:4527,5 MB02/10/2017
DS 03Sl 51.1-6Um pecador arrependido confessa seus pecados e a origem de sua misériaEm breve!
DS 04Sl 5.4-7A Justiça e a Misericórdia de Deus00:28:2726,3 MB09/10/2017
DS 05Sl 130Ao SENHOR pertence o perdão e a redençãoEm breve!
DS 061 Co 1.30,31O que nosso Mediador, que é homem justo e Deus verdadeiro, é para nósEm breve!
DS 071 Co 1.18-25Aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregaçãoEm breve!
DS 082 Co 13.13As Bênçãos do Deus Triúno00:35:1220,4 MB21/10/2017
DS 09Sl 33.1-9O Deus Criador do céu e da terra, deve ser louvado e temidoEm breve!
DS 10Sl 33.10-22O Deus Criador é também ProvedorEm breve!
DS 11-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 121 Pe 2.9,10Como Cristãos Temos Privilégios e ResponsabilidadesEm breve!
DS 131 Co 6.19,20O Senhorio de CristoEm breve!
DS 14Hb 2.10-13O Senhor Jesus Cristo Identificou-se Conosco para ser o Autor na nossa salvaçãoEm breve!
DS 15Hb 2.14-18A Obra de Cristo a Nosso FavorEm breve!
DS 16Jo 5.24Em Cristo, passamos da morte para a vidaEm breve!
DS 17-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 18At 1.1-11Cristo Subiu ao CéuEm breve!
DS 192 Tm 4.1Quando o Senhor Jesus Cristo voltar, Ele julgará os vivos e os mortosEm breve!
DS 20-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 21At 2.42-47Uma Igreja cheia do Espírito SantoEm breve!
DS 22-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 23Rm 5.1-5Os Frutos da Justificação Pela FéEm breve!
DS 24-----Não preguei neste dia do Senhor----------
DS 25-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 26-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 27At 22.12-16Sinal e Realidade no BatismoEm breve!
DS 281 Co 11.23-26A Instituição da Ceia do SenhorEm breve!
DS 29-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 30Hb 1.1-4A Presença de Cristo na Santa CeiaEm breve!
DS 31Jo 20.19-23As Chaves do ReinoEm breve!
DS 32-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 33-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 34-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 35-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 36Êx 20.7Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão00:42:3819,8 MB07/09/2017
DS 37Dt 10.20Só pelo SENHOR jurarásEm breve!
DS 38-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 39Êx 20.12Honra teu pai e tua mãe [Quinto Mandamento]01:00:4735,1 MB28/09/2017
DS 40Mt 5.21,22Não matarás [Sexto Mandamento00:37:4226,2 MB21/09/2017
DS 41Mt 5.27-30Não Adulterarás [Sétimo Mandamento]00:46:0731,904/10/2017
DS 42Ef 4.28Não Furtarás [Oitavo Mandamento]00:51:5324,0 MB10/10/2017
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Pr. Elienai B. Batista

Elienai B. Batista

Verbi Dei Minister

Ministro da Palavra e dos Sacramentos atualmente trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), e na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE.

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