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Dia do Senhor 40 – Mateus 5.21,22 [Pregação]

Dia do Senhor 40 – Mateus 5.21,22 [Pregação]

Amados irmãos em Cristo Jesus nosso Senhor,

O que temos ouvido nos últimos domingos é que a vida de gratidão pela salvação que temos em Cristo, é uma vida cheia de boas obras de acordo com a lei de Deus.

Hoje chegamos ao Sexto Mandamento, que nos diz: “Não matarás”. No entanto, sobre o que é este mandamento? É um mandamento não sobre a morte, mas sobre a vida. Neste mandamento somos lembrados de que no princípio Deus criou o homem e lhe deu vida. Portanto, sendo Deus o doador da vida, somente Ele tem o poder de tirá-la. Nós não podemos tirar a vida de ninguém. A vida do nosso próximo, bem como a nossa própria vida, pertencem a Deus.

Por isso, Deus nos diz: “Não matarás”. Mas o que significam exatamente estas palavras? Nesse contexto é bom saber que no hebraico existe um termo geral para “matar” e um termo específico, que melhor seria traduzido por “assassinar”. O termo usado no Sexto Mandamento é o termo específico, e por isso algumas traduções tem o seguinte: “Não assassinarás”.

Portanto, o Sexto Mandamento não proíbe a pena capital, a guerra justa ou a autodefesa. O que o Sexto Mandamento proíbe é o homicídio, o assassinato – seja premeditado ou não, seja intencional ou não. O que se proíbe é a ação de uma pessoa contra outra, tirando-lhe a vida sem autorização, agindo por interesses próprios, motivado pelo ódio, inveja e outros pecados.

Não assassinarás”, é portanto, o sentido literal do Sexto Mandamento. Mas será que isso quer dizer que provavelmente nenhum de nós aqui, jamais violou o Sexto Mandamento? Não, pois a abrangência deste mandamento, vai além das questões físicas.

É exatamente isso que o Senhor Jesus nos ensina no texto dessa manhã (Mt 5.21,22). Esse texto, faz parte do que chamamos de Sermão do Monte – o ensino de Jesus sobre a vida no seu reino. E uma das coisas que aprendemos no Sermão do Monte é que a vida no reino de Cristo é de acordo com a lei de Deus (vejam 5.17-19).

Mas também devemos notar a advertência de Jesus contra a atitude legalista dos escribas e fariseus (veja v.20). É exatamente isso que Jesus confronta no restante do capítulo 5. Por meio de seis antítesis, Jesus ensina sobre essa justiça que excede a dos escribas e fariseus. Por isso, seis vezes, Ele diz: “Vocês ouviram…”, “Eu porém vos digo…”.

E a primeira dessas antíteses se encontra nos versículos 21 e 22. Vejam o que Jesus diz no v. 21. Também poderíamos ler: “Ouvistes que foi dito pelos antigos”. Isso é uma referência ao ensino dos rabinos (os antigos). Ou seja, o que Jesus tem a dizer (versículos seguintes) está em contraste, não com a lei de Deus revelada a Moisés, mas com a interpretação dos rabinos.

Eles haviam dito “Não matarás”, ou seja, não cometam homicídio e vocês serão cumpridores do Sexto Mandamento. E completaram com base em em (Lv 24.17): Quem assassinar alguém, estará sujeito a julgamento, ou seja à pena de morte.

Qual o problema com essa interpretação dos antigos? O problema é que ela restringe a abrangência do mandamento às questões físicas. O perigo está naquilo que se omite. A implicação desta interpretação legalista é a seguinte: se você comete homicídio, você se torna culpado e digno de condenação. Mas se você se irar contra seu próximo, se você odia-lo em seu coração, ofendê-lo, desprezá-lo, matá-lo em seus pensamentos, e talvez até inventar maneiras para que terceiros o matem, então você não violou o mandamento.

Percebam que essa interpretação legalista dava aos escribas e fariseus a ideia de que eles cumpriam perfeitamente a lei, e que portanto eram justos aos olhos de Deus.

E aqui está um problema muito sério.

Se alguém não entende a abrangência e a profundidade das exigências de Deus na lei, não pode entender o que é o pecado. Não pode compreender a abrangência e a profundidade da corrupção do coração humano. E por isso, imagina que pode realizar o que Deus requer, que pode se tornar justo por suas obras, que pode cooperar com sua salvação.

Jesus diz algo diferente. Ele corta profundamente indo até a raiz do problema. No v. 22, lemos: “Eu, porém, vos digo”, essa declaração de Jesus é enfática. Ele está dizendo: Vocês ouviram a interpretação dos antigos, mas em antítese a ela: “Eu vos digo”.

O que ele tem a dizer sobre o Sexto Mandamento, vai do v.22 ao 26. Mas hoje, quero chamar sua atenção somente ao que Jesus diz no v.22. Observe que há nesse versículo três colocações que descrevem a abrangência do pecado contra o Sexto Mandamento e mostram a punição equivalente (vejam o v. 22).

Há interpretes que veem aqui três níveis de pecado e punição. Mas, se observamos com cuidado percebemos que as três colocações apontam na mesma direção. Vejamos cada uma delas.

A primeira é: “Todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento”. Aqui temos entre colchetes a expressão [sem motivo], isso quer indicar que essa expressão não está em todos os manuscritos. E a maioria dos intérpretes entende que ela possa ser um acréscimo com o objetivo de suavizar as palavras de Jesus. Então podemos ler “Todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento”.

Aqui também devemos lembrar que nem sempre a ira é pecaminosa. É preciso saber contra quem ou o que, é a ira, quais seus motivos, e também não passar o limite da justa punição. Por isso, lemos em Ef 4.26: “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”. E também a Escritura nos diz que Deus se ira. Portanto, a ira não é necessariamente pecaminosa.

Mas aqui Jesus se refere à ira pecaminosa, ao ódio contra o próximo no coração. O próximo, ou irmão, fez ou deixou de fazer algo, e nós nos sentimos no direito de odiá-lo. Ou pode ser que o invejamos, e por isso temos ódio contra ele. Seja o que for, dizemos a nós mesmos que é justificável. Jesus diz que tal disposição do coração é digna de julgamento, ou seja, é digna de morte. Por que isso? Porque tal ira e ódio no coração contra o próximo é a raiz do homicídio. Sendo portanto, aos olhos de Deus, violação ao Sexto Mandamento.

A segunda expressão que devemos examinar é: “quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal”. Talvez em sua versão em lugar de “insulto” tenha palavra “raca”, que é o que temos no original, esse termo vem do aramaico e significa literalmente “cabeça oca” ou “desmiolado”. É portanto um termo ofensivo, um insulto. Portanto, Jesus está dizendo que se chegamos a dar vazão à nossa ira, e ofendemos o nosso próximo, chamando-o de “desmiolado” ou dizendo que ele não vale nada, e que é um inútil ou imprestável, estamos com isso, violando o Sexto Mandamento, e tal atitude nos faz dignos do julgamento no tribunal. Fica implícito aqui, que é o tribunal de Deus.

Por fim, há a seguinte colocação: “quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo”. O termo “tolo” também poderia ser traduzido por “retardado mental”, “idiota” ou “louco”. É também um termo ofensivo que coloca o próximo para baixo. Jesus diz que tal atitude que procede de um coração irado e cheio de ódio, é merecedora do “inferno de fogo”.

A palavra “inferno” aqui, vem de uma expressão hebraica, relacionada com o vale de Hinom, um local ao sul de Jerusalém que antes era usada como local para o sacrifício de crianças ao deus Moloque, e que no reinado de Josias foi transformado em local para o despejo de lixo e de cadáveres de criminosos (2 Rs 23.10).

Era portanto um lugar onde havia fogo constante para queimar o lixo. “Inferno de fogo” indica um lugar onde o fogo nunca se apaga, um estado de sofrimento constante. Isso quer dizer que aquele que com o coração cheio de ódio ofende seu irmão merece não só a morte física, mas a morte eterna.

O que Jesus está ensinando é que a abrangência do Sexto Mandamento não se restringe ao assassinato, a questão física de tirar a vida do próximo. Mas que o problema se encontra no coração. É ai que surge a raiz do homicídio. A ira, ódio contra o próximo, é a forma de o matarmos em nosso coração. E isso pode vir acompanhado de sinais da nossa ira, como bater portas, quebrar coisas, agredir, insultar, debochar, desejar que o próximo se dê mal.

Mas, mesmo que a pessoa não fale e não mostre sua ira, o coração pode estar cheio de veneno mortal contra o próximo. Jesus diz, que essa indisposição contra o próximo, é homicídio.

Portanto, quem pode aqui dizer: estou livre desse pecado? E se a justiça perante Deus fosse alcançada somente pela obediência a este mandamento. Quem poderia dizer: estou justificado? Mesmo que só houvesse este mandamento, Romanos 3.23 permaneceria no seu lugar: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

Isto quer dizer que todos merecíamos o julgamento de Deus, merecíamos o inferno de fogo, não só pelo que fizemos e falamos, mas pelo que escondemos em nosso coração. Nenhum de nós poderia se justificar perante Deus. Se confiássemos em nossas obras, estaríamos eternamente perdidos. Pois o que somos naturalmente é isto – homicidas, assassinos. É isso que o Espírito Santo diz em 1 João 3.15: “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele”.

Mas vejam a graça de Deus, Ele não nos tratou como merecíamos. Ele nos deu seu Filho, e colocou sobre Ele os nossos pecados. Jesus sofreu os mais terríveis sofrimentos no corpo e na alma, Ele experimentou a condenação eterna, por causa de nossa ira contra o próximo, nosso ódio e rancor, nosso desejo por vingança, nossa inveja, nossos insultos, agressões, e toda sorte de violações contra o Sexto Mandamento. Merecíamos o inferno de fogo. Mas Ele nos deu perdão, vida nova, salvação.

Então, se você está em Cristo tudo isso foi crucificado com Ele, e você recebeu uma nova, na qual deve se manifestar sua gratidão por tão grande salvação. Sua resposta deve ser de obediência ao Sexto Mandamento.

Isso quer dizer que você deve ter cuidado não só com suas mãos para não fazer o mal contra o próximo, e não só com sua língua para não insultar o próximo, mas principalmente com o seu coração, pois dele procedem as saídas da vida. Jesus morreu por seus pecados contra o Sexto Mandamento, portanto você não pode deixar seu coração ser um poço cheio de veneno contra o próximo.

Se você tem a nova vida em Cristo, deve lembrar-se que permanecer irado contra seu irmão, alimentar ódio e amargura, insultar, debochar, desejar o mal, ansiar por vingança, e todas aquelas manifestações de ira contra o próximo não são condizentes com a nova vida.

Mas a abrangência do sexto mandamento não para por aqui. Quando Deus condena a inveja, o ódio, a ira e o desejo de vingança, Ele está nos ordenando amar o nosso próximo como nós amamos a nós mesmos. Isso significa, como ensina o catecismo na pergunta 107, que devemos demostrar paciência, paz, mansidão, misericórdia e amizade para com o próximo, protegendo-o tanto quanto pudermos, e procurando fazer o bem até mesmo aos nossos inimigos.

Assim podemos perceber que só é possível responder com gratidão em obediência ao Sexto Mandamento, se confiamos em Cristo. Se buscamos nEle a graça para amar nosso próximo, e até nossos inimigos.

E, se cairmos nesse pecado, o caminho é este: arrependimento e reconciliação. É exatamente isso que Jesus ensina nos versículos seguintes e também em outras partes. Ele nos diz que a ira pecaminosa é algo tão sério, e o julgamento de Deus é tão certo, que se caímos nesse pecado, devemos agir com arrependimento rapidamente, buscando reconciliação. E isso tem preeminência até mesmo sobre o culto.

Portanto, amados irmãos se o coração de algum de vocês está irado, se alguém nutre ódio e rancor. Se você não ama algum irmão, ou se você não ama àqueles que se colocam como seus inimigos, então deve se arrepender imediatamente. Deve correr para a cruz e buscar perdão, e correr para o próximo e buscar reconciliação.

Jesus salvou você, não para que você mantenha seu coração cheio de ira e ódio, mas para que transborde em amor para com todos.

Amém.

Local e data

Sermão pregado à Igreja Reformada em Paulista no culto matutino do dia 17 de setembro de 2017.

Ficha Técnica

Conteúdo e voz: Elienai B. Batista.
Edição de áudio: Abner F. B. Batista.

Dúvidas

Caso você tenha alguma dúvida sobre a pregação, pode usar o nosso grupo no Facebook para fazer sua pergunta. Porém, só responderei quando me for possível. Para isso, clique aqui e peça acesso ao grupo, escreva sua pergunta e link meu nome dentro do grupo. Quando puder responderei.

Dia do SenhorTextoTítuloDuraçãoTamanhoData
DS 01Sl 16O SENHOR é refúgio, na vida e na morte para aqueles que nEle confiam00:54:2237,6 MB25/09/2017
DS 021 Jo 1.5-10O conhecimento de nossos pecados00:29:4527,5 MB02/10/2017
DS 03Sl 51.1-6Um pecador arrependido confessa seus pecados e a origem de sua misériaEm breve!
DS 04Sl 5.4-7A Justiça e a Misericórdia de Deus00:28:2726,3 MB09/10/2017
DS 05Sl 130Ao SENHOR pertence o perdão e a redençãoEm breve!
DS 061 Co 1.30,31O que nosso Mediador, que é homem justo e Deus verdadeiro, é para nósEm breve!
DS 071 Co 1.18-25Aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregaçãoEm breve!
DS 082 Co 13.13As Bênçãos do Deus Triúno00:35:1220,4 MB21/10/2017
DS 09Sl 33.1-9O Deus Criador do céu e da terra, deve ser louvado e temidoEm breve!
DS 10Sl 33.10-22O Deus Criador é também ProvedorEm breve!
DS 11-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 121 Pe 2.9,10Como Cristãos Temos Privilégios e ResponsabilidadesEm breve!
DS 131 Co 6.19,20O Senhorio de CristoEm breve!
DS 14Hb 2.10-13O Senhor Jesus Cristo Identificou-se Conosco para ser o Autor na nossa salvaçãoEm breve!
DS 15Hb 2.14-18A Obra de Cristo a Nosso FavorEm breve!
DS 16Jo 5.24Em Cristo, passamos da morte para a vidaEm breve!
DS 17-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 18At 1.1-11Cristo Subiu ao CéuEm breve!
DS 192 Tm 4.1Quando o Senhor Jesus Cristo voltar, Ele julgará os vivos e os mortosEm breve!
DS 20-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 21At 2.42-47Uma Igreja cheia do Espírito SantoEm breve!
DS 22-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 23Rm 5.1-5Os Frutos da Justificação Pela FéEm breve!
DS 24-----Não preguei neste dia do Senhor----------
DS 25-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 26-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 27At 22.12-16Sinal e Realidade no BatismoEm breve!
DS 281 Co 11.23-26A Instituição da Ceia do SenhorEm breve!
DS 29-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 30Hb 1.1-4A Presença de Cristo na Santa CeiaEm breve!
DS 31Jo 20.19-23As Chaves do ReinoEm breve!
DS 32-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 33-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 34-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 35-----Não preguei neste dia do Senhor [férias]---------------
DS 36Êx 20.7Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão00:42:3819,8 MB07/09/2017
DS 37Dt 10.20Só pelo SENHOR jurarásEm breve!
DS 38-----Não preguei neste dia do Senhor---------------
DS 39Êx 20.12Honra teu pai e tua mãe [Quinto Mandamento]01:00:4735,1 MB28/09/2017
DS 40Mt 5.21,22Não matarás [Sexto Mandamento00:37:4226,2 MB21/09/2017
DS 41Mt 5.27-30Não Adulterarás [Sétimo Mandamento]00:46:0731,904/10/2017
DS 42Ef 4.28Não Furtarás [Oitavo Mandamento]00:51:5324,0 MB10/10/2017
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Pr. Elienai B. Batista

Elienai B. Batista

Verbi Dei Minister

Ministro da Palavra e dos Sacramentos atualmente trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), e na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE.

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