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Quais as razões para lermos as Institutas [Episódio 2]

Quais as razões para lermos as Institutas [Episódio 2]

Olá seja bem-vindo, eu sou o pastor Elienai Batista, e esta é a série: Institutas da Religião Cristã.

Neste segundo episódio quero apresentar as razões para lermos as Institutas da Religião Cristã.

Se você ainda ouviu o episódio 1, no qual fiz uma apresentação desta série, eu o encorajo a fazê-lo.

Como você já sabe, esta série tem como objetivo apresentar uma série de estudos através das Institutas da Religião Cristã. Vamos analisar esta grande obra da literatura cristã, dando atenção especial ao método de Calvino, a organização do material, e ao conteúdo bíblico, devocional, e teológico.

E é claro que você pode apenas acompanhar a série, mas espero que você também se sinta encorajado a ler as Institutas da Religião Cristã.

Quanto a isso, uma pergunta que você pode fazer, é a seguinte: Por que devo dedicar tempo em ler e estudar as Institutas da Religião Cristã?

Esta é uma pergunta justa, por algumas razões.

Em primeiro lugar devemos reconhecer que é uma obra antiga. A primeira edição foi publicada em 1536. Por isso, podemos nos perguntar, depois de tanto tempo, com estudos e teólogos mais recentes, em uma época com muito mais recursos, será que vale a pena ler as Institutas?

Em segundo lugar, a grande obra de João Calvino não é de fácil leitura. É preciso lidar com a linguagem, o contexto histórico e outras questões. No entanto, a dificuldade geralmente ocorre mais por conta de nossa falta de habilidade na leitura do que por outra coisa. Talvez alguns de vocês já tenham tentado ler, e desistido.

De fato, devemos reconhecer que a leitura das Institutas requer um certo esforço. Então perguntamos: Será que esse esforço vale a pena? Quais as razões para lermos a grande obra de João Calvino?

Permita-me apresentar três razões para lermos as Institutas.

A primeira razão para lermos as Institutas está no seu valor histórico.

Esta obra está entre os livros mais importantes da História. Prova disso é que no clássico “Como Ler Livros” de Mortimer J. Adler, a obra Institutas da Religião Cristã, aparece numa lista de cerca de 310 livros que segundo Adler merecem uma leitura analítica.

As Institutas, também m no livro Os 100 livros que mais influenciaram a humanidade de Martin Seymour-Smith.

Ou seja, esta obra, é reconhecida, mesmo por estudiosos que nada tem a ver com a Teologia Reformada, como um dos livros mais importantes e de mais influência sobre a humanidade.

Portanto, fica claro que estamos lidando com um livro singular. Certamente as Institutas não está dentro daquela categoria de livros que segundo o filósofo espanhol José Ortega Y Gasset, não publicá-los seria uma obra de caridade. Este é o caso de grande parte dos livros que se encontram em livrarias evangélicas, mas certamente não é o caso das Institutas.

O valor histórico dessa obra não fica restrito aos protestantes, mas tem influência sobre todo o mundo ocidental, como destacado no livro Calvino e sua influência no mundo ocidental (obra organizada por W. Stanford Reid), e também na obra O Pensamento da Reforma de Alister McGrath), ambos da editora Cultura Cristã.

O teólogo escocês William Cunningham disse a respeito de Calvino:

Calvino foi o maior de todos os reformadores no que diz respeito aos talentos que possuía, a influência que exerceu e os serviços que prestou no estabelecimento e difusão de verdades importantes.

À luz do que acabamos de ouvir, sendo as Institutas a opus magnun, a grande obra de João Calvino, é portanto uma obra que merece ser lida por todos aqueles que querem conhecer mais sobre o reformador e sobre a Reforma. O testemunho histórico, revela que os que lerem as Institutas de forma correta, encontrarão Calvino e sua teologia, e se sentirão recompensados pelo grande esforço.

A segunda razão para lermos as Institutas está no seu valor teológico.

Steven Osment, um historiador da Universidade de Harvard, disse que as Institutas são: “a mais eloquente, afirmação teológica da Reforma.” E muitos estudiosos reformados ou não, concordam com essa afirmação. O Dr. David, Calhoun, um estudioso das Institutas, diz que a esta afirmação devemos acrescentar que as Institutas são não só a mais eloquente, mas também “a mais completa e importante declaração teológica da Reforma.”

Aqui devemos notar que na época da Reforma outros reformadores escreveram obras teológicas, mas nenhuma delas ganhou a proeminência das Institutas.

Lutero apesar de suas muitas obras, não escreveu uma teologia sistemática.

Seu colega Philip Melanchthon escreveu uma teologia sistemática chamada “Loci Communes” (Lugares Comuns) que trata de diversos temas de grande relevância para a Reforma Luterana, mas após diversos acréscimos, a obra de Melanchthon ficou desorganizada, impedindo-o de alcançar devidamente as gerações posteriores.

Alister McGrath diz que “o luteranismo nunca se recuperou realmente do fraco início provido por Melanchthon.” Segundo ele, “o domínio intelectual do protestantismo pelos teólogos de tradição reformada se deve à substância e à estrutura da edição final das Institutas de Calvino.”

Ainda podemos citar Zwinglio, que também não escreveu uma teologia sistemática. E seu Comentário sobre a Verdadeira e a Falsa Religião, não tem a amplitude da obra de Calvino.

Por fim, podemos mencionar o famoso amigo de Calvino, William Farel, em 1525 ele escreveu uma obra que podemos traduzir como: Sumário de Teologia. Depois que Calvino escreveu as Institutas, Farel escreveu a seus amigos, dizendo: “Não leia mais o meu livro, mais leia Calvino.”

Então chegamos à conclusão que por causa dos dons que o Senhor Deus concedeu a Calvino, as Institutas da Religião Cristã, entram naquela categoria, sobre a qual também falou Ortega Y Gasset, na obra a Rebelião das Massas, em seu prólogo para os franceses:

Por isso, acho que um livro só é bom na medida em que nos traz um diálogo latente, em que sentimos que o autor sabe imaginar concretamente seu leitor e este sente como se uma mão ectoplasmática saísse das linhas para tocar sua pessoa, para acariciá-la – ou então, cortesmente, dar-lhe um soco.

Provavelmente essa será sua experiência ao ler as Institutas.

O valor teológico das Institutas também pode ser percebido nas palavras de Phillip R. Johnson. Em seu texto Escritor para o povo de Deus, comentando sobre as obras de Calvino, ele escreve:

Todas elas se classificam entre as melhores obras teológicas e bíblicas já produzidas. Talvez nenhum teólogo possa se dar ao luxo de negligenciar as Institutas; nenhum pastor ou estudante sério das Escrituras jamais deveria ignorar os comentários de Calvino, nenhum professor de teologia deveria perder as lições contidas nas preleções de Calvino. De fato, nenhum cristão deveria deixar de conhecer pessoalmente Calvino, por meio da leitura de uma generosa e seleta porção dos escritos do reformador.

A terceira razão para lermos as Institutas, está no seu valor devocional.

Temos nas Institutas uma obra teológica, mas não de uma teologia árida, especulativa e infrutífera.

Nas Institutas, Calvino procura nos mostrar o conhecimento de Deus como Criador e Redentor, para que nada busquemos fora dEle, para que nEle ponhamos nossa plena felicidade, a fim de nos rendermos inteiramente a Ele amando-o e sujeitando-nos a Ele por completo.

Há nas Institutas uma profunda relação entre o conhecimento de Deus e a vida piedosa. Nela somos instados não a buscar aprender teologia, por causa da teologia em si mesma, mas por causa do próprio Deus. Ele deve ser o alvo de nosso interesse, o estudo da teologia é apenas um meio.

Por exemplo, podemos perceber essa relação entre o estudo teológico e a piedade, quando Calvino vai tratar sobre a Santíssima Trindade. Esta doutrina é explicada no capítulo XIII do Livro I, mas antes de adentrar nesta doutrina, Calvino utiliza os capítulos XI e XII para tratar sobre a verdadeira adoração. Com isso ele indica a verdadeira atitude com que devemos estudar o assunto.

A glória de Deus é não só um dos temas centrais da teologia de Calvino, mas igualmente o objetivo de sua teologia. De modo que podemos dizer que adentrar às Institutas é como adentrar a uma catedral, onde o povo de Deus reunido para a adoração, canta a uma só voz, cada parágrafo, cada capítulo nos remete ao Deus que se revelou nas Escrituras.

Além disso, há frequentes advertências nas Institutas, para não seguirmos pelo caminho das especulações que nada produzem de útil, se não um coração orgulhoso. Essa rejeição de Calvino às especulações, fica evidente em uma carta de Calvino de 1551, a Laelius Socino (um teólogo italiano que viveu de 1525-1562). Ele foi o tio de Fausto Socino, que ampliando as ideias antitrinitárias do tio criou o socianismo.

Calvino escreveu a Laelius Socino:

Certamente, ninguém pode ser mais adverso ao paradoxo do que eu, e não tenho nenhum deleite em sutilizas. No entanto, nada jamais me impedirá de confessar abertamente aquilo que tenho aprendido da Palavra de Deus, pois nada, senão o que é útil, é ensinado na escola desse mestre. Ela é meu único guia, e aquiescer às suas doutrinas manifestas será a minha constante regra de sabedoria. (…) Se você tem prazer em flutuar em meio a essas especulações etéreas, permita-me, peço-lhe eu, humilde discípulo de Cristo, meditar naquilo que conduz à edificação da minha fé.

Portanto, não espere encontrar nas Institutas, especulações para satisfazer suas curiosidades teológicas, mas antes uma teologia que visa nos levar à adoração e à piedade.

Concluo, destacando os três pontos que observamos. As três razões apresentadas para nos encorajar à leitura das Institutas, são as seguintes:

  1. Seu valor histórico;
  2. Seu valor teológico;
  3. Seu valor devocional.

No próximo episódio apresentarei outra razão: a relação entra as Institutas e as Escrituras.

Boa leitura e até o próximo episódio.

Que o Senhor te conceda graça, misericórdia e paz.

Ficha Técnica

Conteúdo e voz: Elienai B. Batista.
Edição de áudio: Abner F. B. Batista.

Bibliografia

MACGRATH, Alister E. O Pensamento da Reforma. São Paulo: Cultura Cristã, 2014.
CALVINO, João. As Institutas: Edição Clássica – Volume I. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
CALVINO, João. A Instituição da Religião Cristã – Tomo I. São Paulo: UNESP Editora, 2008.

Dúvidas

Caso você tenha alguma dúvida sobre esta lição, pode usar o nosso grupo no Facebook para fazer sua pergunta. Porém, só responderei quando me for possível. Para isso, clique aqui e peça acesso ao grupo, escreva sua pergunta e link meu nome dentro do grupo. Quando puder responderei.

EpisódiosTítuloDuraçãoTamanhoData
001Informações introdutórias00:04:274,39 MB19/09/20017
002Razões para lermos as Institutas00:12:1111,04 MB19/09/2017
003A relação entre as Institutas e as Escrituras02/10/2017
004O título da obra
005As edições das Institutas da Religião Cristã
006As traduções das Institutas da Religião Cristã para o português
007Introdução à carta de Calvino a Francisco I.
008Contexto e objetivo da obra [Carta ao rei Francisco I, Seção 1]
009Defesa dos fiéis perseguidos na França [Carta ao rei Francisco I, Seção 2]
010Apelo em favor dos fiéis perseguidos na França [Carta ao rei Francisco I, Seção 3]
011A Escritura e a tradição [Carta ao rei Francisco I, Seção 4]
Pr. Elienai B. Batista

Elienai B. Batista

Verbi Dei Minister

Ministro da Palavra e dos Sacramentos atualmente trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), e na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE.

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Ministro da Palavra e dos Sacramentos atualmente trabalhando em um projeto missionário ligado ao Centro de Literatura Reformada (CLIRE), e na plantação de uma Igreja Reformada em Paulista – PE.

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